
Ainda em fins do século XIX, o contracanto improvisado nas notas graves do violão – as “baixarias” – imitava o dos instrumentos de sopro como o bombardino, o oficleide e a tuba. Com o tempo, as baixarias foram ganhando estilo próprio e orgânico, integrado à sonoridade e à técnica do violão. Daí, como se imagina, o feliz encontro com o violão dos ciganos, cuja sétima corda (um bordão mais grave afinado em dó) ampliava as possibilidades do instrumento na função de baixo cantante.
Mas o violão de sete demoraria a ser popularizado e difundido pelos conjuntos regionais, formações dedicadas ao choro e ao samba. Isto só aconteceria na década de 1950, com o músico que se tornou o maior porta-voz do instrumento e influenciou todas as gerações posteriores de sete-cordas: Horondino José da Silva, o Dino 7 Cordas. Músico atuante desde 1935, quando se tornou um dos violonistas do regional de Benedito Lacerda (o mais destacado em seu tempo), Dino encomendou um sete-cordas à oficina Do Souto em novembro de 1952, passando a utilizá-lo regularmente a partir do ano seguinte. Dino foi o responsável por desenvolver a linguagem do instrumento, valendo-se de novos padrões rítmicos e melódicos, mais elaborados, para a construção das baixarias.
A partir do desempenho brilhante de Dino, exibido em centenas de programas de rádio, shows e gravações, o sete-cordas foi ganhando adeptos por todo o país, incorporando-se definitivamente aos regionais de choro, aos conjuntos de samba e, já nos anos 70, ao desfile das escolas de samba, somando-se ao cavaquinho para acompanhar os intérpretes de samba-enredo. O instrumento passou a contar com outros grandes representantes, como o genial Rafael Rabello. E hoje, em mais uma fase de reflorescimento do choro, o sete-cordas tornou-se um dos instrumentos mais procurados pelos jovens músicos, ostentando expressivas revelações.
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